O Luis Queiroz é articulista do site Convergência Digital e antigamente era bastante crítico da idéia de se doar 1 computador para cada criança. Nos últimos meses ele pareceu convencido da idéia e publicou algumas notícias menos imparciais sobre o assunto.
Hoje, porém, na sua coluna destinada notas curtas atacou a idéia e a licitação em completo desacordo com o que publicara recentemente.
Ele diz que a isenção planejada pelo governo e articulada junto aos estados iria beneficiar a OLPC, mas esquece-se que a vencedora Positivo e todos os demais concorrentes iriam importar as máquinas (150 mil ainda é muito pouco para compensar a produção local e não há logística que compense economicamicamente o alto investimento para um prazo de 2 meses).
A isenção não veio para beneficiar a OLPC, mas para corrigir um erro de cálculo que prejudicaria todo o leilão. E acabou prejudicando, porque no fim o pregoeiro inflou os preços para além do desejado pelo governo ao desconsiderar essa isenção fiscal acordada com os estados.
Para ler a coluna do Luiz Queiroz, clique aqui.
sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
De volta aos velhos hábitos...
Tradução da entrevista com David Cavallo
A tradução da entrevista com um pequeno comentário está na Coluna Educação e Tecnologia do Dicas-L.
Entrevista com David Cavallo
Fiz uma entrevista com David Cavallo, principal representante da OLPC no Brasil. Na entrevista ele fala da influência do Brasil no desenvolvimento do modelo de tecnologia na educação defendido pela entidade, sobre a licitação para compra de 150 mil laptops educacionais (vencida pela Positivo Informática), nossa política de desenvolvimento, a concorrência contra os monopólios de tecnologia e o futuro da entidade sem a ampliação da experiência brasileira.
Abaixo está a transcrição do original. A tradução eu publiquei na forma de artigo na Coluna Educação e Tecnologia do Dicas-L.
Jaime Balbino - The Brazilian government was the first to be interested in into practice the ideas of Prof.. Nicolas Negroponte to provide a computer for each child in developing countries. President Lula could even be considered a kind of patron of the foundation OLPC. In addition, many educators Brazilian confirmed the progress brought by the model developed by the Foundation and even the edital the auction incorporated many of the ideas developed by OLPC, which shows how the Brazil considers this ideas advanced.
So what went wrong? Were the high taxes for Brazilian import? Lacking experience for the OLPC and his partner in public bidding, there was delay in the realization of a better bid, the R$ 104,5 mi is even to the limit of offers, lacked audacity?
David Cavallo - We are extremely grateful for the initial enthusiastic support and work from the government, including Pres. Lula, his advisor Cezar Alvarez, and the project coordinator Jose Luis Aquino. The response of the Brasilian government gave credibility to the overall initiative. We witness that since 2005 the concept of olpc (the idea, not the organization) has gone from being questioned to being implemented globally.
I personally believe that things went somewhat astray for a variety of reasons and that the structure of the governmental purchase request led to a result no one seems to be satisfied with. We are a non-profit. Our price to any country, including Brasil, is the cost of the laptop itself. Uruguay purchased the laptop for USD$197. They also purchased in a way that brought connectivity to homes and communities. We will not bid above our costs. We cannot bid below our costs, as a for-profit might do in order to make profit by charging more for other products and services, or to lock out competition and raise prices subsequently.
So the huge price differential was because of the extraneous conditions imposed upon price for the bid. This includes local assembly (NOT PRODUCTION OR FABRICATION, for which conditions do not exist at this time in Brasil), various taxes, shipping (of components which also raises costs), and a 3-year warranty. They also decided to select solely on the basis of price, without consideration of the display, or power consumption, or eco-friendliness, or connectivity in and out of schools.
Dramatic improvement in education remains the highest goal of OLPC. We do have secondary goals of using the project to help economic development in the countries as well as in bringing connectivity to families and communities. The Brasilian government supported these goals. However, a serious policy on economic development in high technology aims to bring real production; real intellectual capital; real contributions not only in simple, low-wage, low-growth, non-sustainable sectors such as assembly (where the evidence in Brasil of the problems in microelectronics when only focused on protecting assemblers is overwhelming), but on design, engineering, and production in other sectors such as display technology, networking, software, content, and services. We offered repeatedly to work with the government to use OLPC to leverage those areas and not merely assembly. This did not happen. So the tax policies and force towards local assembly raises costs without bringing high sustainable benefits. This is a pity.
It creates a direct trade-off between giving laptops to more children, teachers and schools and the government giving a direct subsidy to 1 local assembler. This is not against the assembler. We support it. But it is not a policy that will bring the highest possible long-term benefits to the country.
JB - OLPC only works with laptops educational for national governments. These losses hinder the future development of the platform XO?
DC - Fortunately, other governments, including countries with far fewer resources than Brasil, are going forward and this provided sufficient scale for us to launch. It was our hope that Brasil would continue to lead the way for other countries, taking advantage of the many world-class people who work in technology and learning to create the best examples of learning in 1:1 situations, in schools, at homes, and in communities. So the fact that Brasil entered at such a small scale limited this, other countries are moving forward. We will continue on the mission of using laptops for learning for all children, not just the most privileged, and continue to work to bring the price down and machines to more children throughout the world.
JB - Any changes in the XO for the Intel platform, as already disclosed, will end from the world dispute with we see today between Classmate and XO and will enforce the recognized know-how of the OLPC in learning?
DC - We continue to collaborate with Intel on the development of new high-quality, low-cost computers for children for learning. We will also continue to develop our own to keep the pressure on for driving the price down and providing more choices. we will also continue development to improve and expand upon the many advances in technology in the XO (such as the display, the mesh networking, the low power consumption, the ecological friendliness, the software, etc.).
Uma análise dos momentos finais do pregão
Às 11:47h a SIMM/OLPC fez sua última oferta de 104,5 milhões de reais.
em seguida a Digibrás/CCE fez a suja oferta abaixo dos 100 milhões de reais
Então tivemos a última oferta, feita pela Positivo, às 12:15:35h.
Desde as 11:47h o pregão estava na fase de encerramento aleatório dos lances. Neste momento o sistema, sem interferência do pregoeiro, havia sorteado a hora de término.
O leilão foi encerrado oficialmente às 12:15h (o site do pregão não informa os segundos do fechamento).
Isto é, a Positivo deu o último menor lance no último meio segundo. Não houve chance para os outros concorrentes avaliarem um lance menor ou mesmo chutarem um valor sem saber do lance da Positivo. Quem não fez lances mais baixos até 12:15h perdeu a chance de fazê-los dentro das regras do pregão.
A isso eu atribuo falta de experiência da SIMM com licitações neste formato.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
Governo havia cumprido a promessa de desoneração fiscal para o UCA
O site Convergência Digital publicou nesta madrugada a informação de que a promessa de desoneração fiscal prometida na véspera do leilão do UCA foi de fato cumprida pelo governo por meio da publicação no Diário Oficial da União do dia 18/12, mesmo dia do leilão, do convênio ICMS 147, definido em reunião com secretários de fazenda dos estados em 14/12.
Por este convênio o governo federal e os estados se compromentem a não recolher os impostos federais e o ICMS de produtos importados para os projetos do PROINFO e UCA, desde que obtidos por meio de licitação, o que era o caso do pregão eletrônico para compra de 150 mil laptops.
Isso tudo significa que já havia uma instrumento legal válido que permitia a desoneração fiscal antes do pregão começar, mesmo assim o pregoeiro exigiu que as propostas contivessem todos os impostos, ignorando a decisão oficial superior.
Teoricamente o principal beneficiado por este convênio ICMS 147 seria a OLPC, cujo laptop é importado, no entanto todos os 8 concorrentes ofereceram equipamentos importados no pregão. Mesmo porque a perspectiva de isenção fiscal desestimulou a montagem ou fabricação local.
O governo sabia o que precisava ser feito para adequar as ofertas à perspectiva orçamentária e correu atrás, mas esqueceu de avisar o outro lado, no caso o FNDE e o sistema federal CompraNET, responsável por conduzir o leilão.
Isso também explica porque alguns jornalistas insistiram que havia desoneração e que mesmo assim os preços ficaram muito altos.
Mais informações no site Convergência Digital.
O peso dos impostos no preço final do XO
Roberto Fagá fez um cálculo por alto que mostra o impacto dos impostos na composição do preço do XO no pregão do UCA. Não é uma conta confiável pois é baseada em suposições, mas é possível ter uma idéia do que aconteceu.
"Se for vendido aos 200 dólares (os 188 + transporte calculados pela
XO) dá 360 reais (dólar a 1.8). Agora vamos aos impostos:
Imposto federal: 360 * 1.6 = 576
ICMS: 645.5 reais
Considerando os 697 reais da SIMM, cairia para aproximadamente, sem os
impostos, para 411 reais - que seja para 480 considerando que não é
200 dólares o custo e teria menos impostos em cima."
Vale lembrar que todos os concorrentes, inclusive a Positivo, importariam suas máquinas.
PS: O preço do transporte por máquina em lotes de 1 milhão, segundo David Cavallo CEO da OLPC no Brasil, seria de 65 centavos de dólar. Mesmo um lote de 150 mil máquina não chegaria ao custo de 12 dólares por máquina transportada. Mas o arredondamento é válido para demonstrar que haveria ainda mais margem para redução.
Como foi o pregão eletrônico
No pregão eletrônico (eu acho que leilão também é correto) num primeiro momento cada um apresenta sua proposta fechada e única. Depois que abrir as propostas o pregoeiro pode decidir encerrar o leilão com base na menor proposta ou abrir para lances livres. A segunda opção foi a escolhida porque todas as propostas ficaram acima do "preço de referência" que o pregoeiro tem e mantem em segredo.
O menor valor ofertado foi de 143 milhões de reais e, ficamos sabendo depois do encerramento dos lances, foi dado pela OLPC através da sua parceira SIMM. Entre as oito propostas inicialmente entregues teve uma que oferecia laptops Sony Vaio ou Acer por 2,25 bilhões de reais no lote de 150 mil!
Só lembrando, a licitação era para compra de 150 mil laptops educacionais com software livre, software para servidor, entrega em 300 pontos diferentes do país e suporte por 3 anos. Todas as propostas tiveram que incluir impostos mesmo com a perspectiva de isenção fiscal para importação nesta licitação. O pregoeiro foi bem claro neste ponto durante a abertura do pregão.
Ao que parece o "preço de referência" que o pregoeiro possui não contabiliza corretamente estes encargos que pode até dobrar o valor de produtos importados. TODOS os concorrentes pareciam dispostos a importar seus produtos.
Todos os concorrentes então puderam fazer quantos lances quisessem para tentar ultrapassar para menos o "preço de referência", mesmo sem saber exatamente qual é. O leilão acabou às 18h do primeiro dia sem que o pregoeiro se desse por satisfeito com o andamento dos lances. No chat do pregão ele deixou claro seu descontentamento com os valores ofertados.
No segundo dia o pregoeiro reabriu o pregão por mais duas horas, ao final das quais avisou que iria encerrar a fase de laces livres (que estava muito parada) às 11:47h, a partir desta hora o sistema iria escolher aleatoriamente um momento para encerrar a oferta de lances.
A partir daí começou uma enxurrada de lances mais consistentes e depois das 11:47h eles se intensificaram ainda mais. Foi neste momento que a SIMM/OLPC ofereceu seu último lance de 104,5 milhões de reais, seguida alguns minutos depois pela Digibrás e por fim a Positivo às 12:15:35h. A fase de lances foi encerrada pelo sistema neste momento, às 12:15h.
Talvez a SIMM/OLPC tivesse condições de oferecer ainda mais um lance se o sistema aleatório tivesse dado mais alguns minutos. Mas o fato é que foi uma disputa acirrada onde nenhum concorrente estava disposto a oferecer valores muito baixos que pudessem ser cobertos mesmo que com prejuízos. Ninguém quis arriscar muito e a Positivo foi mais ousada quando avançou mais rapidamente para patamares menores que que 100 milhões de reais.
Positivo estuda montar Classmate no Brasil
Em uma de suas últimas mensagens no chat do pregão ontem a Positivo citou que estava estudando ajustes no Processo Produtivo Básico (PPB). Isso significa claramente que ela está querendo montar as máquinas no Brasil para aproveitar a insenção fiscal.
O Processo Produtivo Básico envolve as etapas de produção/distribuição e é mapeado pelo governo tanto para a cobrança de impostos como para a concessão de benefícios fiscais.
Provavelmente até agora a Positivo esperava importar as máquinas e mudou de idéia para ganhar o leilão.
É importante frisar que o governo prometeu isenção fiscal para a importação de laptops educacionais na véspera do leilão, no entanto na abertura dos trabalhos do dia 18/12 o pregoeiro afirmou que essa promessa não poderia ser considerada e os lances deveriam conter a descriminação de todos os impostos. Com isso o preço unitário chegou a dobrar.
Leia a postagem da Positivo que demonstra a intenção de produzir no Brasil:
Fornecedor fala:
(19/12/2007 16:11:01) Sr. Pregoeiro, gostaríamos de enfatizar que o pregão foi muitíssimo disputado, com um número muito grande de lances. O projeto é extremamente complexo, num país de dimensões continentais, com 3 anos de garantia, instalação on site em todas as escolas, com desembalagem e configuração de servidor.
Fornecedor fala:
(19/12/2007 16:11:19) Por outro lado, o processo produtivo básico (PPB) exige uma série de contrapartidas dos produtores locais. Estamos analisando o que poderemos fazer.
Leilão reabriu mas ainda não houve acordo Positio x MEC
O pregoeiro no chat do pregão:
(20/12/2007 10:03:57) Bom dia! Comunico que o presente pregão continuará
suspenso, em razão da avaliação da Administração em relação ao certame
licitatório.
Isso significa somente que a Positivo está neste momento sentada com o MEC negociando uma maneira de oferecer o que o MEC pede. Oficialmente o preogeiro não sabe de nada e nem pode dizer o valor do tal "preço de referência", mas ao negociar diretamente com o comprador a Positivo já deve saber o que o valor que o governo está disposto a pagar.
A Positivo ganhou esse direito "VIP" ao vencer com o menor lance. Pelas regras (escritas ou veladas, não sei) ela pode agora discutir livremente com o comprador para tentar um acordo, já que o preço ainda está "muito acima", segundo o pregoeiro.
Teoricamente o governo poderia até fechar um acordo com ela aceitando um valor mais alto e se compromentendo a conseguir a isenção fiscal anunciada na véspera. Ou pode fazer um acordo informal que garanta a aprovação incondicional dos incentivos para a montagem no Brasil de acordo com o preço combinado, caso a Positivo opte mesmo por montar aqui os Classmate.
Agora vale tudo. A parte democrática do leilão já passou e foi muito bem cumprida. Estamos num momento menos nobre do processo onde chegar a um acordo é a única maneira de efetivar o leilão. Se a Positivo não oferecer um valor compatível com o "preço de referência" o leilão pode ser cancelado ou, se aprovado, nada irá garantir que a Positivo receba a diferença, porque não há dotação orçamentária prevista para este extra.
Carga tributária prejudicou queda de preços no leilão
Além dos termos adicionais que encareceram o preço unitário dos laptops oferecidos no leilão para o UCA, inclua-se também a carga tributária, que para produtos importados de informática chega a dobrar o preço final.
O governo acenou na véspera com a possibilida de isenção fiscal, mas logo no início do leilão o pregoeiro avisou que os concorrentes deveriam apontar os tributos detalhadamente na composição de preços já que ainda não havia nada definido sobre isenções.
Este parece ter sido o motivo principal que fez o valor final das máquinas ficarem bem acima do pretendido pelo governo (US$ 250 ou US$ 300, dependendo da fonte de informação).
Por fim, a Positivo está agora negociando diretamente com o MEC para baixar seu preço ao patamar pretendido pelo governo. Para isso ela está considerando fazer a montagem dos Classmate no Brasil e está fazendo os cálculos às pressas e negociando com os fornecedores para definir o preço e a isenção fiscal conseguida com a reserva de mercado para produtos de informática e a produção na Zona Franca de Manaus. Mas é uma negociação bem complicada.
Um detalhe importante, no Uruguai a OLPC venceu a licitação oferecendo o XO a US$ 200.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
Positivo e Classmate ganham. E agora, José?
Segundo o Portal G1 o Classmate é mesmo o micro da Positivo. O gerente da empresa disse que já estava preparando o laptop deles para seguir as exigências do edital.
Parece que não há mais possibilidade de oferta pelas demais partes. Só a positivo pode cobrir a própria oferta apra chegar ao preço pedido pelo governo. Os demais concorrentes só reaparecem se a Positivo não cumprir as exigências do edital nos testes.
Lembrando que a OLPC é a terceira da lista.
Se for isso mesmo, particularmente acho que perdemos a batalha. A culpa terá sido nossa por simplesmente termos deixado de ousar.
O edital cumpriu o seu papel de tomar uma posição, apontar um caminho e exigir a adequação do mercado. O pregão provou que ainda há muitos processos limpos e democráticos na burocracia deste país. Só nos não estivemos à altura.
Uma pena.
Só resta aplaudir. Afinal o edital trouxe exigências que concordei e o Classmate também é reconhecido por ser uma máquina robusta. Se ele cumprir as exigências ao menos teremos um laptop compatível com quase tudo o que discutimos.
Como disse, a OLPC teve todas as oportunidades e deixou de ousar num momento crucial.
Para ler toda a reportagem do G1, clique aqui.
Positivo é até agora a vencedora do leilão de 150 mil laptops
Os demais concorrentes ficam de fora desta parte do leilão.
Se a Positivo não conseguir apresentar uma oferta de acordo com as expectativas do governo o leilão pode ser cancelado.
A melhor oferta (98,18 milhões) foi feita pela Positivo. Ela não diz exatamente a marca do computador ofertado, mas deve mesmo ser o Classmate.
A SIMM Sistemas Inteligentes para Mercado Móvel do Brasil é a representante da OLPC e ficou em terceiro com uma oferta de 104,595 milhões.
Atrás da Digibrás que na verdade é a CCE, que ofereceu seu CM21 por 98,8 milhões.
Curiosamente teve gente que ofereceu Sony Vaio e Acer numa oferta de mais de 2 bilhões de reais!
Acho incrível que a Positivo e a CCE que devem estar oferecendo o mesmo Classmate, consigam fazer uma oferta melhor que a da OLPC.
Se você quiser acompanhar o leilão, que será retomado às 15h de hoje, siga os seguintes passos:
licitação eltrônica é pública e pode ser acompanhada por qualquer cidadão.
Vá no site http://www.comprasnet.gov.br
Escolha no menu a opção "Acesso livre" > "pregões" > "em andamento" (neste caso, quando terminar será outra opção, como "consulta ata")
Vai aparecer um formulário complicado. Preencha apenas os campos "situação" com "todos"; "número do pregão" ( o número é "592007") e a "data de início da sessão pública" com "18/12/2007"
A partir daí entra-se numa página onde é exibido o melhor lance até o momento e tem-se acesso às mensagens do pregoeiro, entre outras coisas.
Para ver o último melhor lance atualizado é necessário recarregar a página ou voltar e avançar novamente de vez em quando.
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sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
O laptop de US$ 100 na visão de uma criança
Eu tinha regressado da Nigéria sem ter ficado totalmente convencido de que o computador portátil XO seria tão maravilhoso assim como ferramenta educacional tal qual seus criadores proclamam.
Eu senti que muito esforço era necessário através de uma forte pressão dos professores para que ele se tornasse bem mais que um brinquedo dispersivo para as crianças numa classe.
Mas Rufus mudou minha mente.
Sem a ajuda de seu pai, ele aprendeu muito mais sobre computadores do que sabia semanas antes, e o XO parece ser uma ferramenta mais criativa que os consoles de jogos que ocupam grande parte do seu tempo.
(...)
Vimos um monte de céticos atacando a idéia de computador portátil da OLPC em nada para respaldá-los além de outras teorias e opiniões. Agora é colocar-se ou calar-se. Se você realmente quiser saber se o portátil da OLPC terá sucesso como ferramenta educacional, então vá perguntar ao Rufus. Ele contará para você."
---
"O que uma criança inglesa faria com um laptop projetado para ajuar crianças de países em desenvolvimento? Rory Cellan-Jones colocou um XO em sua casa para descobrir.
No fim de novembro voltei da Nigéria com um dos modelos de teste do computador portátil XO.
O Computador, feito pela One Laptop per Child, é uma maquininha robusta desenhada para entreter e educar crianças enquanto permite-lhes aprender por si.
Eu sabia que só havia uma pessoa que poderia analisá-lo para mim.
(...)Ele tem nove anos, tem mais experincia com conseles de games que com computadores, e tem fortes opiniões sobre muitos outros assuntos.
"Parece divertido", foi seu único comentário, quando eu treguei o pequeno, verde e branco portátil, explicando que ele era o único filho no Reino Unido a ter um.
(...)
Tudo que eu fiz foi lhe dar o código de segurança para a nossa rede wireless doméstica para assim poder manter o XO on-line. O resto ele fez por si, como ele mesmo explica:
"Eu só observei-o trabalhar. Foi muito fácil. Ele nem sequer precisou de ajuda" Supresa, supresa, a sua primeira descoberta foi um jogo. "Eu encontrei Block Party. É como Tetris. Estou agora no nível 7".
Pensei que o meu jovem fanático por games ficasse preso lá, mas ele mudou. "Então eu descobri pintar. Você pode usar o lápis, alterar a textura, usar diferentes tamanhos de pincel".
Melhor ainda foi um programa de animação chamado Etoys.
"Esse é o meu favorito. Voce faz coisas. Você pode ver tutoriais e demos. Então voê pode fazer um novo projeto. Eu fiz um OVNI irado que você pode mover".
Mas Rufus disse que não é apenas jogar.
"Eu uso a calculadora - que pode ser bastante útil para somas. Você pode navegar pela internet. Você pode assistir e aprender coisas. Pode escrever coisas e ele também pode lembrár-lo daquilo que é útil".
O que um garoto de 9 anos precisa se lembrar? Perguntei-lhe.
"Coisas do natal". Ele disse, com um ar de mistério.
(...)
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
Asus EEE: Um pouco de sua história
É interessante acompanhar alguns pontos desta história, contada pelo presidente da Asus: a dificuldade da empresa se firmar como uma fabricante séria de notebooks depois de ganhar notoriedade pelas placas-mães de baixa-qualidade; a influência da iniciativa da OLPC e o processo que culminou com a escolha do Linux como sistema operacional padrão.
Nos EUA o preço da versão mais básica é US$ 300, enquanto no Brasil o valor deve ficar um pouco acima dos R$ 1 mil.
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Brasil opta por softwares e padrões livres para seus laptops educacionais
Mas salta aos olhos também a preocupação com a liberdadade. O edital exige que os laptops, bem como o software do servidor escolar ao qual eles se conectarão, sejam baseados em software livre e reforça essa opção exigindo também que "a contratada forneça os códigos fontes, além do repasse tecnológico de toda a solução."
Indo além, o edital exige somente compatibilidade com padrões livres para o editor de textos (Open Document) e arquivos de som OGG. Nada é dito explicitamente sobre padrões proprietários nestes casos, mas de forma genérica é exigida "a reprodução de áudio e vídeo em tempo real" o que, em tese, implica suporte a padrões de mídia não-livres porém quase universais hoje, como WMV.
O edital também exige outros softwares, como cliente de chat (não emite preferência por nenhuma solução ou padrão); leitor PDF; Gravador de som; suporte às linguagens de programação LOGO e Squeak; e "jogos educacionais (xadrez, palavras cruzadas, etc...)";
O governo brasileiro não está exigindo uma solução 100% GPL já que também impõe aos laptops compatibilidade com tecnologias proprietárias, como é o Flash, (ainda é) o Java e também a rede Mesh, exigida no edital e que permitirá aos laptops montar redes automaticamente, bem como rotear pacotes entre seus pontos. Mas em outros contextos políticos recentes seria impossível visualizar tantos avanços, principalmente num projeto com tanta capilaridade.
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