segunda-feira, 14 de julho de 2008

De volta!

Passei muito tempo fora, dedicando-me a outros projetos. Parei de postar enquanto decidia a migração deste blog e do seu conteúdo para um formato "mais profissional". Acabei adiando a mudança tempo demais e não postei mais nada.

Decidi retomar aqui mesmo, enquanto faço o novo sítio.

Nesse meio tempo deixei passar muita coisa importante. Mas aos poucos retomamos. Sinto, por exemplo, não ter falado do Asus eeePC, do Positivo Mobo e de outras iniciativas de conectividade que estão surgindo por aí.

Mas vou tentar fixar-me ao menos nas notícias mais inéditas ou que não se encontram com facilidade por aí.

Bem... Estou de volta!

quarta-feira, 12 de março de 2008

TV Digital em escolas de Hortolândia

Bem, não se trata exatamente da TV Digital Brasileira, inaugurada em dezembro último, mas é um campo de experiências para o modelo de TV digital interativa que o governo federal sonha em implementar.

Recebemos na última segunda-feira, dia 10/03, a visita de representantes do MEC, entre outros - como está descrito no meu perfil ao lado, trabalho numa TV Educativa Corporativa. Receber visitantes para conhecer nossos estúdios e equipamentos é rotineiro, mas espantou a todos a grande quantidade de convidados.

Por acaso li no site Hortolandia.com que a cidade também recebeu os mesmos ilustres visitantes. Eles vieram conhecer a "TV Digital" da cidade, num projeto piloto em uma escola municipal.

O projeto, bancado pela prefeitura e com execução do CPqD, UFRGS, UNISINOS e UFSC, tem características muito interessantes: um servidor central armazena o conteúdo multimídia e o transmite às escolas através de uma rede WiMax. Um set-top box na escola dá acesso à programação. Ao que parece, ao contrário da programação contínua gravada ou ao vivo da TV tradicional, a programação é a la carte, isto é, o set-top box dá acesso a um diretório/playlist com os programas disponíveis para serem tocados na TV.

Outro ponto interessante é que os professores também poderiam produzir/fazer programas que seriam disponibilizados através do servidor central.

Os pesquisadores envolvidos no projeto dizem que a experiência em Hortolândia pode fazer parte da futura interatividade do SBTVD. Fica a curiosidade, pois um sistema desses difere bastante do modelo tradicional e da própria TV Digital já em funcionamento na Grande São Paulo.

As principais divergencias com o modelo implantado são o canal de retorno via WiMax, a livre escolha do programa e a produção local de programação. Todos são pontos positivos mas que conflitam com o modelo monopolista atual de telecomunicação.

A prefeitura investiu R$ 300 mil no projeto. Um valor não muito baixo, mas justificado pela escolha do WiMax, tecnologia hoje bem mais cara que o WiFi.

Outros links: CPqD, UniversoTI, Prefeitura de Hortolândia, saiba o que é SAPSA e TV digital interativa.

PS: A foto é do site da Prefeitura de Hortolândia. Não gostei do resultado final, com a TV acima do quadro-negro, as crianças quase "quebrando o pescoço" para ver e a aparência de que é uma transmissão audiovisual tradicional. Com tantas inovações no backstage fica a sensação de que tudo se perde e se converte na mesmice da sala-de-aula tradicional.

Cameras fotográficas artesanais

Por princípio eu não gosto do Prêmio iBest que tem a pretensão de aferir a popularidade de sites brasileiros para a partir daí indicar os melhores da internet em cada categoria. Não o acho legal porque participar significa promovê-lo gratuitamente no seu site e para conseguir votar é preciso também preencher o e-mail do eleitor, o que automaticamente o inscreverá na mala-direta deles.

Essa auto-promoção às custas da espectativa de premiação de uma maioria sem chance é o que não me agrada. O próprio iBest passa a ser um dos sites mais visitados, inchado artificialmente pelas ramificações para o seu concurso e amplia enormemente sua lista de e-mails para envio de marketing-mail.

Se é para promover um serviço, prefiro aqueles com algum significado e os que são vias de mão dupla, como o Google AdSense.

Mas dou o braço a torcer que com o passar dos anos a qualidade do conteúdo da internet se diversificou e melhorou (uma coisa não necessariamente implica na outra - e vice-versa) e isso parece que está se refletindo no iBest. Na lista dos sites mais votados (que eu não visitava há anos) é possível agora ver novidades agradáveis e escapar do lugar comum.

Foi lá que encontrei um blog de tecnologia que não conhecia e que me fará companhia ao lado dos já notórios BR-Linux e O Velho.

O Digital Drops é um blog de tecnologia interessante, principalmente por se basear em fontes diferentes das minhas tradicionais conhecidas. É de lá que retiro a matéria sobre confecção de máquinas fotográficas artesanais ("pinhole" ou "buraco de agulha").

Conheci algumas experiências em escolas com este tipo de câmera, mas não com o e look deste site (em inglês).

As câmeras são muito criativas e possuem até um mecanismo para alimentação semi-automática com rolos de filme comum (as que eu conhecia só podiam ser alimentadas com um fotograma por vez).

O site disponibiliza os moldes para download e dá todas as instruções para construção.

Dá para um pai ou professor ensinar (e aprender) de forma divertida num curso de fotografia para crianças.

Outros links: Wikipedia, Tutorial em Português e este artigo sobre fotografia com pinhole em escolas.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Laptops educacionais prejudicariam a educação

É esse o resumo da reportagem do Estado de São Paulo publicada hoje que alude a uma pesquisa contextual realizada na Unicamp com base nos dados do SAEB. A pesquisa se tornou artigo publicado em setembro do ano passado na renomada revista "Educação e Sociedade".

Tanto a reportagem quanto a pesquisa são extremamente coerentes, embora o foco da última tenha sido o uso do computador (não de laptops educacionais), é inegável que a motivação para a análise partiu da política agressiva de inclusão digital do governo federal e principalmente de suas intenções de implementar o modelo 1:1 no Brasil.

Os pesquisadores tem um vasto currículo no estudo das TICs e dos seus impactos sociológicos na educação e curiosamente sua produção normalmente faz uma abordagem positiva, ao contrário de outros "pesquisadores" viceralmente contrários à idéia de ampliação da cultura digital na escola.

Exatamente por isso, este texto científico tão crítico merece destaque. Provavelmente ele também é a primeira pesquisa estatística séria sobre o tema realizada no país. Antes dela teríamos os próprios dados do SAEB que afirmam melhora no desempenho escolar de alunos com acesso a computadores - uma conclusão provada equivocada logo no início do artigo em questão.

Em resumo: junto com a avaliação do ensino básico, uma prova individual aplicada aos alunos, o SAEB perguntou se a criança utilizava o computador para auxiliá-lo nos estudos da matéria em questão (português ou matématica). Com base nestes dados e outras fontes sócio-econômicas os pesquisadores concluíram que as crianças que fizeram uso moderado ou intenso de computadores (provavelmente em casa) no apóio aos estudos tiveram os piores resultados no "provão" do SAEB. Apenas os que fizeram "uso leve" de computadores no apóio ao estudo tiveram um desempenho melhor perceptível.

Essa conclusão, vinda de pesquisadores sérios e, de certo modo, entusiastas na área parece um "balde de água-fria" nos defensores da ampliação do uso das TICs na educação, principalmente no ensino básico. No entanto, exatamente pela seriedade, a própria pesquisa levanta outras discussões e aponta limitações próprias e do universo acadêmico no geral. É uma pena que numa obra dessa envergadura apenas a conclusão objetiva transcrita acima ganhe ampla divulgação nos meios de comunicação.

Para facilitar transcrevo a parte final do artigo no qual os autores analisam alguns possíveis motivos para o baixo desempenho dos alunos mais incluídos digitalmente:

Não há na bibliografia científica nacional (não estamos falando da bibliografia meramente 'teórica' construída sem extenso apoio empírico) nenhum reconhecimento da existência desta situação. Por esta razão, qualquer hipótese explicativa será necessariamente especulativa. A bibliografia sobre o 'paradoxo da produtividade' sugere uma hipótese: usuários [de computadores] mais pesados se dedicam aos estudos durante menos tempo e com menos afinco do que seus colegas, como padrões de menor tempo de uso. Existem outras hipóteses plausíveis: (...) os usuários intensivos de computadores já detêm um bom conhecimento do uso de programas de cálculo e de correção de ortografia. Dessa maneira, a aprendizagem de capacidades associadas à escrita e ao calculo manual é considerada por estes alunos cada vez menos relevantes. Porém, o SAEB testa o domínio de conhecimentos em matemática e português sem recurso ao uso do computador. Assim, os testes ignoram a natureza das capacidades dos usuários do computador. Uma terceira hipótese é derivada de um estudo recente de Bezerra (2006) que demonstrou que os alunos que trabalham por mais de duas horas por dia têm notas inferiores àqueles que não trabalham. Dessa forma, um número significativo de alunos que usam o computador para fazer os trabalhos de casa pode estar trabalhando, o que explicaria seu acesso ao computador. Ou seja, a relação entre uso intenso do computador e as notas baixas obtidas pode ser parcialmente devido ao fato de que o aluno trabalha.


São hipóteses que os pesquisadores não podem provar e, como se vê no início da citação, eles são muito críticos às teorias não-empíricas. Mas apontam caminhos explicativos, já que a relação por eles encontrada não pode ser considerada casual ou sistêmica ("uso de computadores = má educação").

Acrescento que o uso do computador da forma como levantada pelo SAEB, mesmo que como apoio ao estudo, não é a mesma coisa que o uso de computadores dentro da sala de aula, no apoio às atividades em classe e integrados conscientemente a um projeto pedagógico. Neste caso, inexistente em escala razoável no Brasil, eventuais avaliações de ensino poderiam ser bem mais positivas, mesmo que mantendo o escopo atual dos testes do SAEB.

É claro que esta é uma hipótese "não-empírica", mas é difícil supor que um esforço de integração consciente do computador à escola, com as informações que hoje possuímos, dessem resultados mais catastróficos que aqueles que já obtemos em nossas escolas. Digo isso porque projetos como o UCA do governo federal visam uma renovação completa no modo de organizar e ensinar nas escolas, e o computador é apenas uma parte dessa revolução.

Além disso, em outros países, em especial na Europa, pesquisadores já analisam modelos híbridos que potencializem a experiência cognitiva com as TICs e outros recursos não informacionais. Há todo um novo campo educacional já em andamento, mas no Brasil, de fato, pouco se tem avançado neste sentido, quiçá empiricamente.

Leia a notícia do Estadão e o artigo na íntegra no Scielo (lá você poderá imprimir ou guardar uma cópia em PDF).

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Leilão dos laptops CANCELADO!

Ainda é preciso esperar por mais confirmações, mas a Folha de São Paulo publicou neste sábado (02/02) e noticiada pelo blog Tecnologias Digitais e Educação, do Prof. Simão Pedro, um dos representantes do grupo do UCA, responsável pelo governo por avaliar a adoção do modelo 1:1 no Brasil (o link da Folha de São Paulo é fechado para assinantes, mas a notícia está transcrita no link do Prof. Simão).

O leilão para compra de 150 mil laptops a serem utilizados nos pilotos do UCA deste ano e vencido pela Positivo/Intel com seu Classmate foi CANCELADO, em virtude do alto preço, bem superior ao esperado pelo governo. A notícia da FSP resume bem o histórico e os motivos que teriam levado à decisão.

Para outras informações consulte as notícias anteriores deste blog, a lista de discussão da OLPC Brasil e a entrevista com David Cavallo, da OLPC.

Agradeço ao jornalista José Antônio do OLPC Citizen por reverberar a notícia.

Acho que esta foi uma decisão difícil e complicada, mas, por outro lado, a avaliação de preço do governo federal para as exigências feitas ao vencedor (garantia de 3 anos no local, distribuição em 300 escolas em todo o Brasil, impostos para importação, etc...) foram bastante substimadas. Tanto que a Positivo, que tinha a maior capilaridade entre os concorrentes, não conseguiu em 40 dias reduzir consideravelmente o seu lance vencedor para que o martelo fosse batido.

O site do pregão eletrônico não traz informações sobre o cancelamento, para acompanhar as novidades de lá siga estas instruções.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Curso de estratégias para ambientes de ensino colaborativo

No último ano dediquei-me à divulgação de temas ligados à relaçãoentre tecnologia e educação, entre eles ensaios e palestras sobre olearning design (padrão internacional IMS-LD) e a mobilidade naeducação, em especial a defesa do modelo "1 para 1": uso pelascrianças em tempo integral de computadores portáteis no ensino regulare em outras atividades comunitárias.

Os principais textos e palestras sobre estes assuntos se encontram em http://www.dicas-l.com.br/educacao_tecnologia e em http://www.cameraweb.unicamp.br/.

Para este semestre gostaria de tratar de um outro tema que consideroextremamente importante e que ainda não foi abordado publicamente pormim: os novos paradigmas para a efetivação de um modelo de ensinocolaborativo, seus conceitos, estratégias, ferramentas e avaliação.Para desenvolver este tema pensei em elaborar um curso e aplicá-lo emvárias modalidades, de maneira a atender os diversos interessados.

O curso "Estratégias para ambientes de ensino colaborativo" está emfase de planejamento e é destinado a professores de escolas públicas eparticulares de todos os níveis de ensino e demais educadores nasmodalidades presencial, a distância e semi-presencial.

Será dada alguma ênfase ao ensino fundamental presencial, mas ametodologia se aplica aos outros níveis e modalidades da educação.O curso será oferecido de três maneiras diferentes:

  1. Como um workshop de 8 horas presenciais (em 1 dia) + 4 horasnão-presenciais para estudo e avaliação (12 horas totais). Este cursoestará disponível no início de fevereiro.
  2. Como um curso de extensão de 12 horas presenciais (em 3 encontros) + 18 horas não-presenciais para estudo, atividades e avaliação (30horas totais). Este curso ocorrerá no final de março.
  3. Como um curso de extensão em EAD de 6 horas tele-presenciais (em 4tele-conferências) + 24 horas não-presenciais para estudo, atividadese avaliação (30 horas totais). Este curso está previsto para o iníciode maio.

Trata-se do mesmo curso, mas com variações na abordagem e noaprofundamento do conteúdo. O workshop é destinado a grupos fechadoscomo escolas, faculdades e prefeituras. Enquanto os cursos de extensãosão abertos. No entanto, por questões de logística e custodificilmente o segundo curso semi-presencial será oferecido para alémdo estado de São Paulo.

Aquele que estiver interessado envie um e-mail para "jaimebalb@gmail.com" com o assunto/title "RE: Curso de estratégias emambientes de ensino colaborativo". Isto irá ajudar a avaliarestatísticamente o nível de interesse no tema e NÃO significa ainscrição ou pré-inscrição em quaisquer dos cursos.

Em breve divulgarei as ementas e outras informações, como os recursose as ferramentas utilizadas.
Agradeço a divulgação.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

De volta aos velhos hábitos...

O Luis Queiroz é articulista do site Convergência Digital e antigamente era bastante crítico da idéia de se doar 1 computador para cada criança. Nos últimos meses ele pareceu convencido da idéia e publicou algumas notícias menos imparciais sobre o assunto.

Hoje, porém, na sua coluna destinada notas curtas atacou a idéia e a licitação em completo desacordo com o que publicara recentemente.

Ele diz que a isenção planejada pelo governo e articulada junto aos estados iria beneficiar a OLPC, mas esquece-se que a vencedora Positivo e todos os demais concorrentes iriam importar as máquinas (150 mil ainda é muito pouco para compensar a produção local e não há logística que compense economicamicamente o alto investimento para um prazo de 2 meses).

A isenção não veio para beneficiar a OLPC, mas para corrigir um erro de cálculo que prejudicaria todo o leilão. E acabou prejudicando, porque no fim o pregoeiro inflou os preços para além do desejado pelo governo ao desconsiderar essa isenção fiscal acordada com os estados.

Para ler a coluna do Luiz Queiroz, clique aqui.

Tradução da entrevista com David Cavallo

A tradução da entrevista com um pequeno comentário está na Coluna Educação e Tecnologia do Dicas-L.

Entrevista com David Cavallo

Fiz uma entrevista com David Cavallo, principal representante da OLPC no Brasil. Na entrevista ele fala da influência do Brasil no desenvolvimento do modelo de tecnologia na educação defendido pela entidade, sobre a licitação para compra de 150 mil laptops educacionais (vencida pela Positivo Informática), nossa política de desenvolvimento, a concorrência contra os monopólios de tecnologia e o futuro da entidade sem a ampliação da experiência brasileira.

Abaixo está a transcrição do original. A tradução eu publiquei na forma de artigo na Coluna Educação e Tecnologia do Dicas-L.

Jaime Balbino - The Brazilian government was the first to be interested in into practice the ideas of Prof.. Nicolas Negroponte to provide a computer for each child in developing countries. President Lula could even be considered a kind of patron of the foundation OLPC. In addition, many educators Brazilian confirmed the progress brought by the model developed by the Foundation and even the edital the auction incorporated many of the ideas developed by OLPC, which shows how the Brazil considers this ideas advanced.
So what went wrong? Were the high taxes for Brazilian import? Lacking experience for the OLPC and his partner in public bidding, there was delay in the realization of a better bid, the R$ 104,5 mi is even to the limit of offers, lacked audacity?

David Cavallo - We are extremely grateful for the initial enthusiastic support and work from the government, including Pres. Lula, his advisor Cezar Alvarez, and the project coordinator Jose Luis Aquino. The response of the Brasilian government gave credibility to the overall initiative. We witness that since 2005 the concept of olpc (the idea, not the organization) has gone from being questioned to being implemented globally.

I personally believe that things went somewhat astray for a variety of reasons and that the structure of the governmental purchase request led to a result no one seems to be satisfied with. We are a non-profit. Our price to any country, including Brasil, is the cost of the laptop itself. Uruguay purchased the laptop for USD$197. They also purchased in a way that brought connectivity to homes and communities. We will not bid above our costs. We cannot bid below our costs, as a for-profit might do in order to make profit by charging more for other products and services, or to lock out competition and raise prices subsequently.

So the huge price differential was because of the extraneous conditions imposed upon price for the bid. This includes local assembly (NOT PRODUCTION OR FABRICATION, for which conditions do not exist at this time in Brasil), various taxes, shipping (of components which also raises costs), and a 3-year warranty. They also decided to select solely on the basis of price, without consideration of the display, or power consumption, or eco-friendliness, or connectivity in and out of schools.

Dramatic improvement in education remains the highest goal of OLPC. We do have secondary goals of using the project to help economic development in the countries as well as in bringing connectivity to families and communities. The Brasilian government supported these goals. However, a serious policy on economic development in high technology aims to bring real production; real intellectual capital; real contributions not only in simple, low-wage, low-growth, non-sustainable sectors such as assembly (where the evidence in Brasil of the problems in microelectronics when only focused on protecting assemblers is overwhelming), but on design, engineering, and production in other sectors such as display technology, networking, software, content, and services. We offered repeatedly to work with the government to use OLPC to leverage those areas and not merely assembly. This did not happen. So the tax policies and force towards local assembly raises costs without bringing high sustainable benefits. This is a pity.

It creates a direct trade-off between giving laptops to more children, teachers and schools and the government giving a direct subsidy to 1 local assembler. This is not against the assembler. We support it. But it is not a policy that will bring the highest possible long-term benefits to the country.

JB - OLPC only works with laptops educational for national governments. These losses hinder the future development of the platform XO?

DC - Fortunately, other governments, including countries with far fewer resources than Brasil, are going forward and this provided sufficient scale for us to launch. It was our hope that Brasil would continue to lead the way for other countries, taking advantage of the many world-class people who work in technology and learning to create the best examples of learning in 1:1 situations, in schools, at homes, and in communities. So the fact that Brasil entered at such a small scale limited this, other countries are moving forward. We will continue on the mission of using laptops for learning for all children, not just the most privileged, and continue to work to bring the price down and machines to more children throughout the world.

JB - Any changes in the XO for the Intel platform, as already disclosed, will end from the world dispute with we see today between Classmate and XO and will enforce the recognized know-how of the OLPC in learning?

DC - We continue to collaborate with Intel on the development of new high-quality, low-cost computers for children for learning. We will also continue to develop our own to keep the pressure on for driving the price down and providing more choices. we will also continue development to improve and expand upon the many advances in technology in the XO (such as the display, the mesh networking, the low power consumption, the ecological friendliness, the software, etc.).

Uma análise dos momentos finais do pregão

Às 11:47h a SIMM/OLPC fez sua última oferta de 104,5 milhões de reais.

em seguida a Digibrás/CCE fez a suja oferta abaixo dos 100 milhões de reais

Então tivemos a última oferta, feita pela Positivo, às 12:15:35h.

Desde as 11:47h o pregão estava na fase de encerramento aleatório dos lances. Neste momento o sistema, sem interferência do pregoeiro, havia sorteado a hora de término.

O leilão foi encerrado oficialmente às 12:15h (o site do pregão não informa os segundos do fechamento).

Isto é, a Positivo deu o último menor lance no último meio segundo. Não houve chance para os outros concorrentes avaliarem um lance menor ou mesmo chutarem um valor sem saber do lance da Positivo. Quem não fez lances mais baixos até 12:15h perdeu a chance de fazê-los dentro das regras do pregão.

A isso eu atribuo falta de experiência da SIMM com licitações neste formato.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Governo havia cumprido a promessa de desoneração fiscal para o UCA

O site Convergência Digital publicou nesta madrugada a informação de que a promessa de desoneração fiscal prometida na véspera do leilão do UCA foi de fato cumprida pelo governo por meio da publicação no Diário Oficial da União do dia 18/12, mesmo dia do leilão, do convênio ICMS 147, definido em reunião com secretários de fazenda dos estados em 14/12.

Por este convênio o governo federal e os estados se compromentem a não recolher os impostos federais e o ICMS de produtos importados para os projetos do PROINFO e UCA, desde que obtidos por meio de licitação, o que era o caso do pregão eletrônico para compra de 150 mil laptops.

Isso tudo significa que já havia uma instrumento legal válido que permitia a desoneração fiscal antes do pregão começar, mesmo assim o pregoeiro exigiu que as propostas contivessem todos os impostos, ignorando a decisão oficial superior.

Teoricamente o principal beneficiado por este convênio ICMS 147 seria a OLPC, cujo laptop é importado, no entanto todos os 8 concorrentes ofereceram equipamentos importados no pregão. Mesmo porque a perspectiva de isenção fiscal desestimulou a montagem ou fabricação local.

O governo sabia o que precisava ser feito para adequar as ofertas à perspectiva orçamentária e correu atrás, mas esqueceu de avisar o outro lado, no caso o FNDE e o sistema federal CompraNET, responsável por conduzir o leilão.

Isso também explica porque alguns jornalistas insistiram que havia desoneração e que mesmo assim os preços ficaram muito altos.

Mais informações no site Convergência Digital.

O peso dos impostos no preço final do XO

Roberto Fagá fez um cálculo por alto que mostra o impacto dos impostos na composição do preço do XO no pregão do UCA. Não é uma conta confiável pois é baseada em suposições, mas é possível ter uma idéia do que aconteceu.

"Se for vendido aos 200 dólares (os 188 + transporte calculados pela
XO) dá 360 reais (dólar a 1.8). Agora vamos aos impostos:
Imposto federal: 360 * 1.6 = 576
ICMS: 645.5 reais
Considerando os 697 reais da SIMM, cairia para aproximadamente, sem os
impostos, para 411 reais - que seja para 480 considerando que não é
200 dólares o custo e teria menos impostos em cima."

Vale lembrar que todos os concorrentes, inclusive a Positivo, importariam suas máquinas.

PS: O preço do transporte por máquina em lotes de 1 milhão, segundo David Cavallo CEO da OLPC no Brasil, seria de 65 centavos de dólar. Mesmo um lote de 150 mil máquina não chegaria ao custo de 12 dólares por máquina transportada. Mas o arredondamento é válido para demonstrar que haveria ainda mais margem para redução.

Como foi o pregão eletrônico

No pregão eletrônico (eu acho que leilão também é correto) num primeiro momento cada um apresenta sua proposta fechada e única. Depois que abrir as propostas o pregoeiro pode decidir encerrar o leilão com base na menor proposta ou abrir para lances livres. A segunda opção foi a escolhida porque todas as propostas ficaram acima do "preço de referência" que o pregoeiro tem e mantem em segredo.

O menor valor ofertado foi de 143 milhões de reais e, ficamos sabendo depois do encerramento dos lances, foi dado pela OLPC através da sua parceira SIMM. Entre as oito propostas inicialmente entregues teve uma que oferecia laptops Sony Vaio ou Acer por 2,25 bilhões de reais no lote de 150 mil!

Só lembrando, a licitação era para compra de 150 mil laptops educacionais com software livre, software para servidor, entrega em 300 pontos diferentes do país e suporte por 3 anos. Todas as propostas tiveram que incluir impostos mesmo com a perspectiva de isenção fiscal para importação nesta licitação. O pregoeiro foi bem claro neste ponto durante a abertura do pregão.

Ao que parece o "preço de referência" que o pregoeiro possui não contabiliza corretamente estes encargos que pode até dobrar o valor de produtos importados. TODOS os concorrentes pareciam dispostos a importar seus produtos.

Todos os concorrentes então puderam fazer quantos lances quisessem para tentar ultrapassar para menos o "preço de referência", mesmo sem saber exatamente qual é. O leilão acabou às 18h do primeiro dia sem que o pregoeiro se desse por satisfeito com o andamento dos lances. No chat do pregão ele deixou claro seu descontentamento com os valores ofertados.

No segundo dia o pregoeiro reabriu o pregão por mais duas horas, ao final das quais avisou que iria encerrar a fase de laces livres (que estava muito parada) às 11:47h, a partir desta hora o sistema iria escolher aleatoriamente um momento para encerrar a oferta de lances.

A partir daí começou uma enxurrada de lances mais consistentes e depois das 11:47h eles se intensificaram ainda mais. Foi neste momento que a SIMM/OLPC ofereceu seu último lance de 104,5 milhões de reais, seguida alguns minutos depois pela Digibrás e por fim a Positivo às 12:15:35h. A fase de lances foi encerrada pelo sistema neste momento, às 12:15h.

Talvez a SIMM/OLPC tivesse condições de oferecer ainda mais um lance se o sistema aleatório tivesse dado mais alguns minutos. Mas o fato é que foi uma disputa acirrada onde nenhum concorrente estava disposto a oferecer valores muito baixos que pudessem ser cobertos mesmo que com prejuízos. Ninguém quis arriscar muito e a Positivo foi mais ousada quando avançou mais rapidamente para patamares menores que que 100 milhões de reais.

Positivo estuda montar Classmate no Brasil

Em uma de suas últimas mensagens no chat do pregão ontem a Positivo citou que estava estudando ajustes no Processo Produtivo Básico (PPB). Isso significa claramente que ela está querendo montar as máquinas no Brasil para aproveitar a insenção fiscal.

O Processo Produtivo Básico envolve as etapas de produção/distribuição e é mapeado pelo governo tanto para a cobrança de impostos como para a concessão de benefícios fiscais.

Provavelmente até agora a Positivo esperava importar as máquinas e mudou de idéia para ganhar o leilão.

É importante frisar que o governo prometeu isenção fiscal para a importação de laptops educacionais na véspera do leilão, no entanto na abertura dos trabalhos do dia 18/12 o pregoeiro afirmou que essa promessa não poderia ser considerada e os lances deveriam conter a descriminação de todos os impostos. Com isso o preço unitário chegou a dobrar.

Leia a postagem da Positivo que demonstra a intenção de produzir no Brasil:

Fornecedor fala:
(19/12/2007 16:11:01) Sr. Pregoeiro, gostaríamos de enfatizar que o pregão foi muitíssimo disputado, com um número muito grande de lances. O projeto é extremamente complexo, num país de dimensões continentais, com 3 anos de garantia, instalação on site em todas as escolas, com desembalagem e configuração de servidor.
Fornecedor fala:
(19/12/2007 16:11:19) Por outro lado, o processo produtivo básico (PPB) exige uma série de contrapartidas dos produtores locais. Estamos analisando o que poderemos fazer.

Leilão reabriu mas ainda não houve acordo Positio x MEC

O pregoeiro no chat do pregão:
(20/12/2007 10:03:57) Bom dia! Comunico que o presente pregão continuará
suspenso, em razão da avaliação da Administração em relação ao certame
licitatório.

Isso significa somente que a Positivo está neste momento sentada com o MEC negociando uma maneira de oferecer o que o MEC pede. Oficialmente o preogeiro não sabe de nada e nem pode dizer o valor do tal "preço de referência", mas ao negociar diretamente com o comprador a Positivo já deve saber o que o valor que o governo está disposto a pagar.

A Positivo ganhou esse direito "VIP" ao vencer com o menor lance. Pelas regras (escritas ou veladas, não sei) ela pode agora discutir livremente com o comprador para tentar um acordo, já que o preço ainda está "muito acima", segundo o pregoeiro.

Teoricamente o governo poderia até fechar um acordo com ela aceitando um valor mais alto e se compromentendo a conseguir a isenção fiscal anunciada na véspera. Ou pode fazer um acordo informal que garanta a aprovação incondicional dos incentivos para a montagem no Brasil de acordo com o preço combinado, caso a Positivo opte mesmo por montar aqui os Classmate.

Agora vale tudo. A parte democrática do leilão já passou e foi muito bem cumprida. Estamos num momento menos nobre do processo onde chegar a um acordo é a única maneira de efetivar o leilão. Se a Positivo não oferecer um valor compatível com o "preço de referência" o leilão pode ser cancelado ou, se aprovado, nada irá garantir que a Positivo receba a diferença, porque não há dotação orçamentária prevista para este extra.