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segunda-feira, 16 de julho de 2007

Intel e OLPC finalmente unidas

Causou certa comoção o anúncio de uma parceria entre a OLPC e a Intel, depois dos dois lados terem travado ásperas trocas de acusação, como Negroponte chamando a estratégia de barateamento do ClassMate de dumping e a Intel afirmar que o seu projeto "também" é um projeto educacional, parodiando Negroponte.

Deixando as fofocas de lado, como as patrocinadas pelo Meio-Bit. Qualquer análise um pouco racional perceberá que as críticas, principalmente as da OLPC, se referiam à divisão inútil de esforço numa briga por fatias de mercado que tenderia a inviabilizar ambos os projetos, com prejuízos maiores para a OLPC, dado seu maior comprometimento, foco e objetivo.

A partir do momento que a Intel levanta a bandeira branca, faz sua mea-culpa e aceita discutir seriamente a disseminação dos laptops de baixo custo, deixando claro quais são seus interesses, não há porque brigar ou criticar mais.

Durante o 1o Encontro de Laptops Educacionais perguntei aos representantes da Intel que acabavam de fazer uma longa preleção sobre o ClassMate e as redes WiMax quais eram as intenções de convergência dessas tecnologias, incluindo o EEE da Asus e a nova plataforma MID, para equipamentos móveis.

Tentei ser o mais discreto possível, jogando muito verde. O resultado foi uma farta colheita, bem madura:

  1. Eles admitiram que o ClassMate é um "computador-conceito" que pode ser fabricado com todas ou partes de suas características por qualquer empresa interessada. Isto é, não veremos o ClassMate sendo comercializado, principalmente porque a tecnologia mais cara no qual é baseado (o Celeron) não é competitiva para este tipo de aparelho. Mas os softwares, tamanho, indicadores de resistência e sugestões de uso podem fazer parte de outros projetos educacionais.
  2. Sem discrição os dois representantes "torceram o nariz" para o EEE da Asus. Ele não tem nada a ver com o ClassMate e não foi baseado nele. No entanto ele é um produto voltado para mercados emergentes, que pode ser utilizado em educação e, principalmente, utilizará a plataforma Intel Mobile, seja ela qual for. Em resumo: é o tipo de parceria que a Intel gosta de fazer.
  3. O WiMax é peça fundamental e motor de todas as ações em mobilidade da Intel. O que parece interessar realmente à empresa é vender serviços móveis com esta tecnologia, da qual possui a patente. A nova plataforma MID, laptops educacionais e outros equipamentos móveis de uso geral apenas agregam valor à investida da Intel em ganhar este mercado - antes que outra tecnologia sem-fio melhor apareça.
Aqueles que acham estranho e até suspeito o ingresso da Intel na OLPC não percebem os movimentos que a empresa fez nos últimos anos e como ela está tentando se adaptar à nova realidade: A Intel simplesmente desistiu do mercado de dispositivos móveis, apesar do seu crescimento surpreendente e de ter sido um dos principais fornecedores de tecnologia ela simplesmente abandonou o filão porque os lucros eram pequenos e o nível de inovação baixo. Ela decidiu, sabiamente, se concentrar naquilo que faz melhor e lhe é mais rentável: desenvolver processadores e outras tecnologias de última geração, tão caras e avançadas que não podem ser embutidas em dispositivos móveis, que usam chips com mais de 10 anos de existência (o IPhone da Apple utiliza dois chips antigos para todas as suas funções).

Depois que a OLPC apareceu a Intel fez todos os movimentos para dar alguma resposta em um ramo que ela não queria ver desenvolvido. O Américo Damasceno chamou este mercado de "PC-BIC" em alusão à famosa e, principalmente, barata caneta esferográfica. Manter os computadores de baixo-custo presos ao nicho educacional é interessante, o problema é quando estas máquinas avançam sobre os mercados realmente rentáveis, como os escritórios e demais consumidores. Este, por sinal, é o objeitvo de projetos como o EEE da Asus e o Mobilis da Encore.

Quem recuou e aceitou o peso dos argumentos foi a Intel e não a OLPC. Se ela conseguir compatibilizar o XO com a rede WiMax já terá um ganho estratégico enorme. Além disso, passará a integrar um time de desenvolvedores e tecnologias com grande potencial de assimilação. Pensem comigo: o que seria da tecnologia da Rede Mesh se não fosse a OLPC?

O mais importante é para a OLPC é que a plataforma que ela passou mais de 3 anos desenvolvendo irá "conversar" com a nova plataforma móvel da Intel. Produtos, softwares e conectividade serão compatíveis. Isto é um ganho também enorme para ambos e, principalmente, para nós, usuários.

A foto acima é do primeiro protótipo não-comercial da nova plataforma Intel-MID. Maiores informações, em inglês, aqui.

Mobilis em setembro!

Na sexta-feira antes do encontro recebi a notícia de que os entraves burocráticos haviam terminado e finalmente o Mobilis entrará em produção no Brasil até setembro.

Engraçado, pois achava que algumas poucas unidades para testes já haviam sido produzidas na fábrica do sul do país, para "aquecer" a linha de produção. Na verdade não há mais nenhum Mobilis no Brasil além dos 40 que estão em teste pelo projeto UCA.

A questão é que a legislação brasileira é muito complicada, para se aproveitar incentivos diversos deve-se acatar regras muitas vezes estranhas e defasadas. Por exemplo, o Mobilis já sair de fábrica pronto para receber a TV Digital Brasileira (que estréia em dezembro), mas os setup-box (conversores para a TVDB) só podem ser fabricados na Zona Franca de Manaus e não podem conter outros componentes. Só assim é possível aproveitar os incentivos fiscais que o governo está dando.

Na prática significa que o Mobilis pode ser fabricado no sul do país, mas o setup-box deve ser feito em Manaus, como um componente externo que se encaixa ao Mobilis. Fazer os dois juntos sai mais caro do que fazer os dois separados, em fábricas distantes milhares de quilômetros.

De qualquer maneira, em setembro (ou pelo menos antes do Natal) teremos o primeiro laptop/UMPC/sei lá... de baixo custo sendo produzido em larga escala. Num modelo único no mundo.

O pessoal da brasileira Telavo e da indiana Encore têm sido muito visionários para bancar esta brincadeira em meio a tantas dificuldades financeiras e burocráticas.

1o Encontro sobre laptops na educação

Aconteceu no último sábado, na Universidade Federal Fluminense (UFF), o 1o Encotro sobre Laptops na Educação. A programação estava muito boa e as pessoas que confirmaram presença também representavam o que há de mais significativo sobre o tema. Daí que não resisti e, de última hora, decidi sair de Campinas e ir até o Niterói participar também. Uma oportunidade extremamente rara de reunir tantos interesses convergentes.

Nasci e me criei em São Gonçalo, ao lado de Niterói, por isso também pude fazer uma visitinha rápida à casa de minha mãe, com direito a levar seu netinho para vê-la. A última vez que estive lá foi há 1 ano.

Mas voltando ao encontro: Ele foi encabeçado e brilhantemente conduzido pela Profa. Denise Vilardo, pedagoga e coordenadora pedagógica do Colégio Graham Bell, uma cooperativa de professores que fica no bairro do Maracanã, na cidade do Rio.

A primeira mesa, iniciada pouco depois da 10h, contou o Diretor da Faculdade de Engenharia da UFF (abertura), a Profa. Denise Vilardo, David Cavallo (OLPC) e Uma representante oficial do Grupo de Estudos do UCA (esqueci o nome da professora).

Ainda durante a mnhã outra mesa contou com Peter Knight representando a Encore do Brasil no lugar de Jackson Sosa (Telavo/Encore) e dois representantes da Intel. Desta vez foram apresentadas as experiências com o Mobilis e o ClassMate.

Após o almoço foi a vez do pessoal do LSI/USP falar do seu projeto piloto para o UCA em uma escola de São Paulo. Depois o Prof. Luis Schara deu uma verdadeira aula sobre redes wireless e sobre os testes realizados com a rede Mesh para o UCA.

Logo em seguida, para finalizar, Maria Helena Cautiero e Franklin Coelho apresentaram com enorme profundidade o projeto de Cidade Digital de Piraí. Impossível não ficar maravilhado com a revolução promovida por lá.

Ficou acertado um novo encontro para março de 2008, quando já tivermos efetivamente implantado mais laptops em escolas. Possivelmente este novo encontro fará parte de uma cúpula da União Européia que se realizará no Rio ou em São Paulo na mesma época.

Estiveram presentes mais de 50 pessoas. Praticamente todos participaram com perguntas, depoimentos, sugestões, desabatos, críticas e até poesia. A simplicidade e informalidade do encontro contrastaram com a complexidade e amplitude das ações que seus atores já promovem. Já participei de muitos eventos, mas nenhum com tanta sinergia como este.

Em outros posts trarei mais detalhes.

Links relacionados:
http://www.colegiogbell.com.br/esle/
http://laptopsnaescola.blogspot.com/